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#RioOccupationLdn

NADA DO QUE ACONTECEU, É MAIS IMPORTANTE QUE O ACONTECIMENTO EM SI

by thiago.jesus on August 08, 2012

Escrever sobre o evento ou sobre as obras e seus resultados - finalizados ou em "working progress" - seria um mero fragmento.

Digo mais, um recorte inverossímil, porque o maior legado desta vivência foi o que se viveu.
Este é o grande projeto final destes artistas: a experiência.
O desafio de conviver e debater seus espaços, seus mundos, seus horizontes, suas técnicas, suas conquistas, suas ansiedades, suas provocações, seus desafios, suas limitações, seus medos, seus absurdos, suas alegrias, suas tristezas, suas frustrações, suas maturidades, suas grandezas e suas artes já eram anseios suficientes para não caber em si.

Transformar o que se viveu em algo concreto era um compromisso moral, mas conceitualmente não era o mais importante, porque no fundo isso nunca representaria o TODO.
Minha experiência aqui foi enxergar de longe para entender onde orientar, além de nos momentos tensos do processo de montagem final dar o play no botão que dizia play.
Aliás a montagem foi um movimento de superação para tornar o possível ficar extraordinário. Parecia o Brasil. E era. A Inglaterra parou para ver e aprender.
Naquele momento era Rio, só pensava no fundod e minha cuca: É nóis.
Todos do grupo queriam ansiosamente o fim da estrada, florida e solar, de preferência com uma caipirinha, e dentro de todas as auto-cobranças que nos fazemos no dia-a-dia o que vale, é lembrar, que cada um dos milhões de passos que daremos, serão igualmente fundamentais. Assim será sempre, mesmo que os 30 dias vividos aqui pareçam eternos, por isso cito um provérbio chinês (se não for, me permitam esta licença poética e passa a ser chinês): "Não corra, caminhe sempre"; assim fica mais fácil observar, criar, ruminar, planejar, fazer, errar, corrigir e evoluir.

Para a faísca vingar, nada melhor que viver o RISCO, da imersiva convivência ao resultado artístico em si.
Destaco além do risco uma CORAGEM louvável além do inesgotável espirito de colaboração desta equipe de realizadores somado a uma generosidade infinita do gigante Paul, o que sempre é lindo ver e guardar com a gente.

Ambicioso como o projeto demonstrou ser, ouso aqui nestas linhas contrariar Olavo Bilac, que afirma numa de suas crônicas que "O Brasil é a terra dos resignados". Por mais que esta herança nos persiga, hoje temos uma clareza de quem somos e o reflexo disso é que "o mundo quer ser Brasil".
Agora a nossa instrinseca e compulsiva vontade de pesquisar (uma maneira gentil de muitas vezes "copiar" os Europeus, os americanos..os ocidentais) se transformará num processo inverso e não tenham duvidas, viveremos uma antropofagia ao inverso, o que nos permitirá dizer que agora a "Nau é Nossa". Ou melhor, nós vamos invadir sua praia.

A experiência de viver tudo isso é o maior dos acontecimentos.

Fecho meu texto - meu trabalho- repetindo esta frase, para mim decisiva e compreendedora:

"Nada do que aconteceu em Londres nos 30 dias de ocupação é tão ou mais importante quanto o acontecimento em si."


Batman Zavareze
Criador e Curador do Festival Multiplicidade - Ano 8.


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